Vicio e plasticidade sináptica

Wednesday, 27 de January de 2021

 Um estudo recente publicado no Biological Psychiatry demonstrou que a atividade enzimática de tipos específicos de células contribui para a plasticidade sináptica associada a comportamentos de vicio. Será que essas mudanças cerebrais duradouras estão no cerne do motivo pelo qual o vício é tão difícil de tratar?


 

Dependência, vicio, etc. quando em excessos podem gerar um transtorno por uso de substâncias, que caracteriza-se como uma condição neurológica complexa que tem como característica o comportamento de busca de drogas, além de vários prejuízos na condição cognitiva, emocional e comportamental. Nesse novo estudo, verificaram se a plasticidade sináptica era alterada nesse grupo. Ou seja, se há mudanças na maneira como os neurônios se comunicam entre si, e se isso impulsiona os comportamentos de dependência. 

Neurônios de uma área do cérebro (nucleus accumbens) são conhecidos por sofrerem plasticidade relacionada ao vício. Especificamente, mudanças nas sinapses de neurônios que detectam o neurotransmissor dopamina (neurônios espinhosos médios) foram associadas a comportamentos de vicio.

Nesse estudo, os pesquisadores treinaram ratos empurrando uma alavanca por 10 dias que heroína. Em seguida, esses animais passavam por um período de abstinência de 10 dias. Dessa forma, estudaram os cérebros dos ratos através de um microscópio para detectar a atividade enzimática em torno das sinapses dos neurônios espinhosos médios. As enzimas estudadas foram as metaloproteinases (MMP). Estas, quebram as proteínas que constituem a matriz extracelular em torno das células nervosas. Esta matriz de proteínas suporta conexões sinápticas, mas também restringe a remodelação das conexões sinápticas em resposta à experiência. Com isso, foi possível concluir que a atividade de MMP têm impacto direto na capacidade das células de manifestar alterações neuroplásticas.


Fonte: Uol (2011)

A partir desse estudo foi possível perceber a seletividade requintada da neuroplasticidade relacionada ao vício fornecendo evidências de novos avanços em nossa compreensão da atividade sináptica quando há busca de heroína. Sugerindo também que a recuperação do vício não é simplesmente uma reversão no cérebro das mudanças relacionadas ao vício, mas também envolve o estabelecimento de novas mudanças anti-vício que protegem contra o uso de substâncias.

 


Referências

CHIOMA, Vivian C. et al. Heroin Seeking and Extinction from Seeking Activate Matrix Metalloproteinases at Synapses on Distinct Subpopulations of Accumbens Cells. Biological Psychiatry, 2020.

The content published here is the exclusive responsibility of the authors.

Autor:

Livia Nascimento Rabelo

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