Vamos fazer uma plástica no cérebro, ou melhor, uma plasticidade? Efeitos do BDNF

Monday, 18 de January de 2021

 

     Como visto nas matérias anteriores (Link nas referências), existe uma atividade de excelência do astrócito em relação ao neurônio e essa atividade pode atenuar o processo de envelhecimento, ou melhor, pode promover a sobrevivência neuronal, promover a mielinização e, assim, influenciar a maturação dos oligodendrócitos, atenuando alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas. Quando os astrócitos entram em ação, eles desempenham um papel importante na secreção de fatores tróficos.      

          Então! O que pode ser feito para favorecer um envelhecimento saudável?

    Uma das respostas é através do exercício. A resposta do cérebro ao exercício envolve vários fatores neurotróficos, incluindo fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1) e fator de crescimento endotelial vascular (VEGF).

     A evidência mais forte implica o BDNF, que é aumentado na expressão no cérebro (em animais) em resposta ao exercício, além de estar positivamente relacionado com a mudança induzida pelo exercício no volume do hipocampo e conectividade funcional melhorada (em humanos). Embora a evidência seja mais forte para os efeitos do BDNF na resposta ao exercício, é provável que seus efeitos sejam apoiados por IGF-1 e VEGF.

    A expressão do BDNF aparece nos estágios iniciais do neurodesenvolvimento embrionário e atinge o pico de maturação do cérebro por volta dos 18 anos, persistindo durante a vida adulta. Uma produção ótima de BDNF é, portanto, tão necessária para o desenvolvimento adequado quanto para o funcionamento do cérebro, e um declínio natural é esperado na senescência.

    Como citado nas matérias anteriores, esse declínio pode afetar vários graus de comprometimento cognitivo (KONAR et al., 2016). As maiores limitações funcionais acontecem quando, eventualmente, ocorre hipofunção das vias neuronais, como consequência das perdas nos circuitos cerebrais nas áreas frontal, parietal e temporal. Portanto, processos como tempo de reação, atenção, raciocínio, aprendizagem e memória exibem mudanças que variam de comprometimento leve à demência grave (SOFI et al., 2011). Para a atenuação da demência, é importante estimular a manutenção do BDNF e umas das chaves para ser alcançar esse sucesso se dá através do exercício físico, independentemente da idade, sexo ou mesmo condições neuropatológicas (de ASSIS e de ALMONDES, 2017).

    Os efeitos do BDNF dependente de exercício foram elucidados em níveis celulares e moleculares na plasticidade sináptica e manutenção, em áreas e circuitos de processamento cognitivo e executivo (LISTA e SORRENTINO, 2010). O BDNF desempenha o papel de modular os processos de sinalização por meio da interação com seu receptor de tirosina quinase B (TrkB), amplamente expresso no sistema nervoso central. O sistema BDNF-TrkB então ativa várias cascatas de eventos, em última análise, promovendo a expressão de proteínas relacionadas à diferenciação neuronal e sobrevivência (RAFIEVA e GASANOV, 2016). Desse modo, a regulação do BDNF, evocada pelo exercício, potencializa a proteção dos neurônios de eventuais danos, favorece a neurogênese e a plasticidade (BUDNI et al., 2015).

     Em estudos com animais (rato adulto), o BDNF promove a regeneração de axônios lesados (MAMOUNAS et al., 2000) e foi demonstrado que têm uma influência neuroprotetora na substância branca em roedores e, também, em humanos ( HUSSON et al., 2005; WEINSTOCK-GUTTMAN et al., 2007). De fato, evidências de estudos em animais e humanos sugerem que o BDNF promove e modula a plasticidade, entendida como a capacidade do cérebro de sofrer mudanças funcionais ou morfológicas em resposta à experiência.

     Outra forma é:

   Técnicas de estimulação cerebral não invasiva, incluindo a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), se apresentam como ferramentas terapêuticas promissoras para modular as anormalidades da plasticidade sináptica e minimizar os déficits de memória e aprendizagem em muitas doenças neuropsiquiátricas (CAVALEIRO et al., 2020).

    Estudos sugerem que ETCC é capaz de modular a plasticidade cerebral devido a modificações sinápticas dentro da área estimulada. c-fos , BDNF ou receptores de N-metil-D-aspartato (NMDARs). A ETCC é uma técnica de estimulação cerebral segura, fácil e não invasiva, terapeuticamente confiável e com potencial promissor para promover aprimoramento cognitivo e neuroplasticidade (CAVALEIRO et al., 2020).

 

     Curiosidade!

     Você sabia que o BDNF pode ser investigado através da sua saliva? Sim! A resposta é sim! (MOREIRA et al. 2018).

 

Referências:

1. CAVALEIRO, Carla et al. Memory and Cognition-Related Neuroplasticity Enhancement by Transcranial Direct Current Stimulation in Rodents: A Systematic Review. Neural Plasticity, v. 2020, 2020.

2. DE ASSIS, Gilmara G.; ALMONDES, Katie Moraes de. Exercise-dependent BDNF as a modulatory factor for the executive processing of individuals in course of cognitive decline. A systematic review. Frontiers in psychology, v. 8, p. 584, 2017.

3. Konar, A., Singh, P. e Thakur, MK (2016). Declínio cognitivo associado à idade: insights sobre mudanças moleculares e vias de recuperação. Aging Dis. 7, 121–129.

4. Lista, I., and Sorrentino, G. (2010). Biological mechanisms of physical activity in preventing cognitive decline. Cell. Mol. Neurobiol. 30, 493–503.

5. MOREIRA, Alexandre et al. Salivary BDNF and Cortisol Responses During High‐Intensity Exercise and Official Basketball Matches in Sedentary Individuals and Elite Players. Journal of Human Kinetics, v. 65, n. 1, p. 139-149, 2018.

  

Matérias (1, 2 e 3) para Consulta:

https://www.brainlatam.com/blog/ano-novo-chegando-e-o-cerebro-voce-sabe-o-que-acontece-no-cerebro-durante-o-envelhecimento-como-a-neurociencia-explica-2417

https://www.brainlatam.com/blog/neuronios-estrutura-funcao-e-processo--2423

https://www.brainlatam.com/blog/um-espetaculo-dos-mecanismos-plasticos-como-a-neurociencia-explica--2427

 

Texto: Profa. Luciane Ap. Moscaleski

Revisão: Profa. Dra. Marcela Bermudez Echeverry

The content published here is the exclusive responsibility of the authors.

Autor:

Luciane Moscaleski

Support

moscalesk@brainsupport.co









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