Quanto esforço precisamos empenhar para bons resultados?

Friday, 31 de July de 2020

Quem nunca quando criança ouviu dos seus professores que seu desempenho não foi o esperado porque você não se esforçou o suficiente? Ou quem nunca ouviu do seu chefe “se esforce um pouco mais que você consegue”. Entretanto, embora tenha sido ensinado que colocar mais empenho nos leva a melhores resultados, nem sempre é claro o que é exatamente esse esforço.


                                                                                            Fonte: Folha do mate (2014)

Quando pensamos em ações que demandam esforço não fazemos associação com ações automáticas, por exemplo, após a prática não achamos que dirigir demanda esforço, ou reconhecer cores e objetos. Entretanto, ações que não envolvem processos automáticos demandam esforços. Esses esforços podem ser físico, por exemplo, andar de bicicleta, fazer uma caminhada, exercícios de musculação, ou arrumar uma casa, levantar objetos pesados, etc. Mas, podem ser também esforços cognitivos, que exigem habilidades de pensamento.

Esforço cognitivo é o esforço de pensamento que você usa para realizar uma tarefa mais complexa. Por exemplo, você exerce esforço cognitivo quando faz atividades escolares, acadêmicas, mas, também faz esse esforço quando resolve um quebra-cabeça complicado, um enigma, um caça palavras, etc. Porém, muitas vezes atividades que exercem esforço cognitivo, principalmente relacionada a avaliações acadêmicas muitas vezes são vistas como desagradáveis, outras vezes divertida, mas, porque isso?

Alguns estudos tentando entender o quanto de esforço cognitivo empenhamos nas tarefas perceberam que isso tem a ver com a relação custo benefício percebida. Como assim? Imagine que você tem um teste amanhã que você precisa estudar bastante. Quanto esforço cognitivo você aplicará? seu comportamento pode ser previsto pelo cálculo dos custos e benefícios do estudo. Em resumo, podemos dizer que o benefício de estudar é obter um desempenho interessante, ou seja, uma nota acima no mínimo na média. Um custo importante tem a ver com o nível de esforço cognitivo que você deve exercer - para obter uma boa nota, às vezes você terá que pensar mais. Eles pensaram nisso como uma equação matemática: a soma dos custos e benefícios resulta em um certo valor. Quanto mais você valoriza algo, maior a probabilidade de colocar um esforço cognitivo nele.

Outra relação importante, chamada de desconforto cognitivo e desconforto do esforço é demonstrada na figura abaixo: 

                                                                                              Fonte: KRAMER et al (2020)

A figura demonstra que se você precisa estudar muito para obter uma boa nota, o valor que você dá para obter essa nota diminui. Ou seja, o esforço cognitivo provavelmente também diminui ou desconta o valor de uma boa nota. Na figura linha azul representa o valor de uma boa nota em função do esforço cognitivo que você precisa demandar para isso. Dessa forma, é perceptível que o valor de uma boa nota não será tão alto se você precisar exercer mais esforço cognitivo para isso (estude mais!!!). Isto é o que os cientistas chamam de desconto no esforço: você valoriza menos uma coisa por causa do esforço que ela exige.

Com isso, através de estudos de ressonância magnética funcional (fMRI) foi possível verificar quais áreas do cérebro você está usando naquele momento, com isso, percebeu-se que o cérebro calcula constantemente os valores de suas ações futuras, considerando a relação de custo e benefício. Uma região cerebral especifica envolvida no benefícios potenciais das ações é o estriado ventral. Por outro lado, os custos são sinalizando principalmente pelo córtex cingulado anterior. Sendo assim, depois que o cérebro calcular os custos e benefícios, essas duas regiões trabalharão juntos para trocar informações.

Mas, o esforço cognitivo é muito mutável, pois, às vezes a vontade de exercer um esforço cognitivo pode ser alta e em outros momentos bem baixa. Então, existe formas de aumentar isso? A resposta é sim!!! Existem algumas dicas para isso, vou citar algumas:

  • Primeiro, reduza todos os outros custos para o seu cérebro pensante. Portanto, RETIRE OS DISTRATORES!!! Por exemplo, o telefone, sair de lugares barulhentos, etc., isso irá para ajudá-lo a se concentrar. A remoção de distratares faz com que o esforço cognitivo pareça menos desconfortável.
  • Segundo, aumente os benefícios. Você pode trabalhar até mesmo com recompensar. Por exemplo, você pode dizer a si mesmo que, se obtiver uma boa nota, comprará algo agradável, ou vai tirar tantos dias de lazer, etc. Isso funciona muito bem com crianças e adolescentes.
  • Terceiro, tente aumentar o seu prazer com a tarefa cansativa. Por exemplo, se você não gosta de números, use um jogo de raciocínio para tornar a atividade mais divertida. 

Referências

KRAMER, A. et al. Is It Worth It? How Your Brain Decides to Make an Effort. Front. Young Minds. 8:73, 2020. doi: 10.3389/frym.2020.00073

KURZBAN, Robert et al. An opportunity cost model of subjective effort and task performance. Behavioral and brain sciences, v. 36, n. 6, p. 661-679, 2013.

PARKER, Andrew J. Fakes and forgeries in the brain scanner. Frontiers for Young Minds, v. 6, n. 39, 2018.

SHENHAV, Amitai et al. Toward a rational and mechanistic account of mental effort. Annual review of neuroscience, v. 40, p. 99-124, 2017.

WESTBROOK, Andrew; LAMICHHANE, Bidhan; BRAVER, Todd. The subjective value of cognitive effort is encoded by a domain-general valuation network. Journal of Neuroscience, v. 39, n. 20, p. 3934-3947, 2019.

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Autor:

Livia Nascimento Rabelo

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