Obesidade pode reduzir o tamanho do cérebro das crianças?

Wednesday, 19 de January de 2022

O número de crianças obesas no mundo têm crescido consideravelmente nos últimos anos, trazendo resultados muitas vezes preocupantes. Entretanto, será que essas consequências também pode afetar negativamente o cérebro em desenvolvimento?


A obesidade traz uma quantidade enorme de sequelas metabólicas e cardiovasculares em crianças, além de interferir diretamente na sua qualidade de vida. Crianças com obesidade são mais propensas a desenvolver diabetes tipo 2 de início precoce e doenças cardíacas, tendem a ter fatores de risco mais graves e carga de doença, e apresentam maior risco de mortalidade prematura.

Entretanto os efeitos de obesidade e sobrepeso sobre o desenvolvimento do cérebro e como isso pode interagir com a capacidade cognitiva ainda é uma coisa a ser mais aprofundada e alguns pesquisadores veem se preocupando com isso. Alguns estudos de neuroimagem (envolvendo ressonância magnética (MRI)) demonstraram alterações estruturais nas regiões corticais que tem papel no controle executivo em crianças obesas em comparação com crianças com biótipo magro. Além disso, crianças obesas obtiveram desempenho em tarefas de memória de trabalho e um menor volume cortical orbitofrontal, região do cérebro associada ao controle do apetite.

Outros estudos de neuroimagem observaram menor volume de matéria cinzenta nas crianças que possuíam IMC acima da média.  É importante destacar que as aberrações metabólicas no início da vida possuem impactos negativos no desenvolvimento e a maturação cerebrais, e, consequentemente, na cognição.

Aprofundando esses estudos, um grupo de pesquisadores em um estudo transversal percebeu que o índice de massa corporal mais alto nas crianças foi associado a um córtex mais fino, especialmente no córtex pré-frontal. Essa região é importante para diversas atividades e tem um papel enorme no comportamento inteligente e funções executivas. A associação entre índice de massa corporal e memória de trabalho foi parcialmente mediada pela espessura do córtex pré-frontal. Dessa forma, esses estudos sugerem que o índice de massa corporal está associado ao desenvolvimento cortical e funções executivas diminuídas.
 
Além disso, estudos envolvendo NIRS também demonstraram efeitos da obesidade na atividade cerebral! Complicado não é mesmo? Isso demonstra mais um motivo importante do quanto precisamos cuidar da alimentação dos pequenos!!!


Referências

 

LAURENT, Jennifer S. et al. Associations among body mass index, cortical thickness, and executive function in children. JAMA pediatrics, v. 174, n. 2, p. 170-177, 2020.

 

MAAYAN, Lawrence et al. Disinhibited eating in obese adolescents is associated with orbitofrontal volume reductions and executive dysfunction. Obesity, v. 19, n. 7, p. 1382-1387, 2011.

 

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Autor: Livia Nascimento Rabelo
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