O viés cognitivo nas crenças de crianças

Thursday, 10 de September de 2020

A teleologia promíscua contextualiza que as pessoas tendem a ver as coisas como intencionais ou planejadas e não por processos naturais. Como a crença e religião é moldada?


Fonte: BioSpectrum Asia

Pela complexidade do assunto, existem algumas teorias e poucas certezas sobre como as crenças religiosas são moldadas, mas alguns autores apontam que a teleologia promíscua pode fomentar a crença em um Deus criado, onde essa crença religiosa pode ser, em parte, resultado de operações de vieses cognitivos. Essa e outras teorias apontam que a crença religiosa ocorre de forma natural, de acordo com a maturação e desenvolvimento.

Cita-se que a teleologia promíscua opera desde uma idade muito nova, visto que crianças pequenas não são sujeitas a um aprendizado por tempo suficiente para enxergar a teleologia na natureza. Muito se baseia que, desde novas, as crianças já possuem um mecanismo cognitivo com certa maturidade natural e, por isso, formam crenças.

De forma geral, a transmissão cultural produz confiavelmente a crença na moralização e em deuses e isso está sujeito de acordo com o ambiente em que as pessoas estão. A mente preditiva do ser humano é altamente ajustada e, assim, acredita-se que a transmissão cultural cumpre esse papel de responsabilidades adaptativas. Em outras palavras, podemos crescer em um país predominantemente islâmico e nos adaptar com as crenças e valores morais daquele ambiente como, da mesma forma, isso pode ocorrer em ambientes em que outras religiões e crenças são predominantes, como o cristianismo, budismo, etc.

As crianças tendem a seguir as normas morais seguindo as regras de figuras autoritárias. Quando os pais castigam um filho, por um ato moral que ele considerou errado, ele está transpondo suas normais morais no qual a criança aprende a seguir. De acordo com Oviedo e colaboradores, “a transmissão cultural pode explorar esses antecedentes com narrativas convincentes sobre figuras de autoridade sobrenaturais. Por exemplo, As histórias do Velho Testamento sobre Deus punindo os israelitas por sua desobediência podem ressoar nas pessoas porque suas ações se assemelham às de figuras humanas autorizadas. Narrativas convincentes que ressoam com antecedentes sobre figuras de autoridade podem fazer os sujeitos formarem antecedentes sobre BG. Esses priors podem promover a cooperação.”

Sendo assim, pode-se concluir com pesquisas de diversos autores, baseados na ciência cognitiva da religião, que a mente se dispõe para formar crenças religiosas resultando em uma arquitetura interna da mente. Pesquisadores se baseiam na crença adaptativa na crença religiosa como um resultado de viés cognitivos e de conteúdo. Outros autores, sugerem que essas considerações podem se tornar apenas uma, através de uma codificação preditiva, onde a crença é aprendida e de acordo com o ambiente em que o indivíduo está.

Ligada a um processo natural ou a um aprendizado, sabe-se que a criança se desenvolve convivendo com algo imposto pelo ambiente e tutores. Sendo assim, cabe a reflexão: a partir de qual idade uma criança tem o sistema cognitivo desenvolvido e maturo para definir o que é certo ou errado? Com raras exceções, somos sujeitos a seguir os passos da nossa cultura e tutores e, consequentemente, a sociedade fica sujeita a carregar vícios, preconceitos, etc.

Como sugestão, baseado na neurociência, estruturas límbicas e o córtex pré-frontal são regiões interessantes para serem estudadas desde a infância. A criança aprende rápido e ainda não existem resultados sólidos que indicam as condições de maturidade de estruturas cerebrais como o sistema límbico e o córtex pré-frontal, que podem direcionar para um aprendizado direcionado em relação a crenças e devoções.

Referências

Phillips, J., El-Gabalawi, F., Fallon, B. A., Majeed, S., Merlino, J. P., Nields, J. A., ... & Norko, M. A. (2020). Religion and Psychiatry in the Age of Neuroscience. The Journal of Nervous and Mental Disease.

Shariff, A. F., & Mercier, B. (2016). The evolution of religion and morality. In The Oxford Handbook of Evolutionary Psychology and Religion.

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Autor:

Mouhamed Zorkot

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