Neurolab #4 - Experiência de quase morte

Tuesday, 07 de June de 2022
  
Você acredita em Vida após a Morte?
   Em nosso quarto vídeo do nosso projeto NEUROLAB, falamos um pouco sobre as explicações  neurocientíficas da Experiência de quase morte. Você ainda não conhece o Neurolab? Acesse nosso blog "Neurolab" e conheça uma forma prática de aprender neurociência além de sua importância para comunicação científica. Neste blog, discutiremos os assuntos e pontos importantes de nosso vídeo (Neurolab #4).
 
Near death experience
 Você já ouviu falar sobre um fenômeno em que em um estado de morte eminente pessoas relatam experiências muitas vezes julgadas como sobrenaturais, como por exemplo, se materializar em forma de espírito e ter contatos com seres celestiais? No meio científico, esses fenômenos são chamados de experiência de Quase Morte (EQM), que envolve experiências como de ouvir o anúncio da própria morte, ausência de dor, sentir estar fora do corpo, envolventes sentimentos de paz, ouvir um ruído, ver e atravessar um túnel com uma luz em seu final, ingressar em alguma outra esfera ou dimensão, encontrar-se com seres não-físicos ou um "ser de luz", incluindo pessoas que já morreram, retornar à vida, ter novas visões da morte e adquirir novos conhecimentos e habilidades não adquiridos por meio da percepção normal.
 
    Como vimos em nosso blog "The OA, Experiência de Quase-Morte e vida após a morte: a Neurociência explica", Estudos retrospectivos com pessoas que vivenciaram EQM mostraram que, em geral, são habitualmente sujeitos psicologicamente saudáveis que não diferem da população em relação à idade, gênero, etnia, religião, religiosidade ou saúde mental. Mas o que pode causar uma EQM?   Quando o cérebro entra no processo de morte, ocorre uma condição conhecida como isquemia cerebral, na qual a falta de componentes químicos e gasosos leva a uma ''inatividade elétrica completa'' no cérebro. Estudos realizados com implantes de microeletrodos em pacientes terminais, constataram que atividade elétrica dos neurônios no cérebro, no momento da morte, tende a diminuir gradativamente no intuito de economizar energia dos neurônios. Também, foi observada uma atividade elétrica de forma "não organizada", como foi observado no lobo temporal, o que pode ter relação com alguns tipos de alucinações específicas encontradas nas EQMs. Além disso, as EQMs têm sido especulativamente atribuídas a vários neurotransmissores no cérebro, mais freqüentemente as endorfinas ou outros opióides endógenos (liberados sob estresse como a situação de morte eminente) que pode ter relação com o alívio da dor e sensação de bem-estar. Um modelo mais abrangente sugere que um agente endógeno neuroprotetor similar à quetamina também pode ser liberado nessas condições de estresse, provocando sentimentos de se estar fora do corpo e algumas sensações como se sentir atravessando um túnel escuro em direção à luz, acreditar que morreu ou que está se comunicando com Deus, por exemplo. Sabendo da similaridade de efeitos entre essas substâncias endógenas e algumas substâncias exógenas, alguns trabalhos mostram a utilização de substâncias alucinógenas como dimetiltriptamina (DMT) presente em ervas como a Ayahuasca, como modelo adequado para o uso da simulação de EQMs para estudos de consciência em humanos, já  que os mesmos estudos detectaram uma semelhança significativa entre as características fenomenológicas das experiências induzidas pelo DMT e aquelas descritas por pessoas que relataram uma EQM.
 
    Além disso, Como vimos em nosso blog "Além da Religião, da Misticidade e da Espiritualidade, a perspectiva da Neurociência em evidência" a religião e a crença pode ser algo inerente aos seres humanos podendo atuar como uma agente modulador da dos valores morais. Trabalhos que compararam relatos de EQMs de pessoas de diferentes culturas e religiões sugerem que as crenças prévias têm alguma influência no tipo de experiência que uma pessoa relatará. 
 
    Embora os fatores fisiológicos, psicológicos e socioculturais possam realmente interagir de forma complexa, conjuntamente com uma EQM, no geral, as teorias propostas e evidências até o momento não são o suficiente para demonstrar  de forma definitiva todos os mecanismos envolvidos durante uma EQM. Como vimos no blog "Cérebro processando 11 dimensões e semelhança do seu desenvolvimento com expansão das galáxias: qual a relação entre a neurociência e o universo?", estudos  utilizando modelos neurais computacionais, descobriram que nosso cérebro tem a capacidade de processamento de mais 8 dimensões espaciais além das 3 dimensões em que nós conseguimos interagir. Dessa forma, sabemos que muitos mecanismos de redes complexas cerebrais que podem ter algum tipo de relação com EQM ainda não foram totalmente esclarecidos.

                        


Saiba mais sobre Experiência de quase morte em nosso vídeo Neurolab:

         

Referências:
 
Martial C., Cassol H.,Charland Palla V. Neurochemical models of near-death experiences: A large-scale study based on the semantic similarity of written reports. Consciousness and Cognition 69. March 2019 with 785 Reads DOI: 10.1016/j.concog.2019.01.011
 
Dreier, Jens P., et al. "Terminal spreading depolarization and electrical silence in death of human cerebral cortex." Annals of neurology 83.2 (2018): 295-310
Greyson B. Experiências de quase-morte: implicações clínicas. Rev. psiquiatr. clín. [online]. 2007, vol.34, suppl.1, pp.116-125. ISSN 0101-6083. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832007000700015.
 
Fenwick, Peter. "As experiências de quase morte (EQM) podem contribuir para o debate sobre a consciência." Rev Psiq Clín 40.5 (2013): 203-7.
 
Treffert, Darold A. "The savant syndrome: an extraordinary condition. A synopsis: past, present, future." Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences 364.1522 (2009): 1351-1357.
 
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Autor:

Rodrigo Oliveira

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