Neuroeconomia: Tipos de tomada de decisão

Saturday, 01 de August de 2020


A tomada de decisão é influenciada tanto por estímulos ambientais, que operam a nível sensorial, cognitivo, afetivo e social, quanto pela organização morfológica e funcional do sistema nervoso, processos neuroquímicos e circuitaria neural. Neste blog vamos ver os três tipos de tomada de decisão e como podemos aplicá-las.



Voltando um pouco antes na tomada de decisão, é importante ressaltar que esta abrange uma ampla gama de comportamentos que possuem uma estrutura básica comum, podendo ser didaticamente dividida em algumas fases. O primeiro momento é o input; o segundo momento, a fase de processamento; o terceiro é o output; e por fim, o feedback. O input consiste na apresentação dos estímulos (opções de escolha), mensuração e predição de se ele proporciona uma resposta aversiva ou gratificante. O processamento refere-se a avaliação e formação de preferência sobre o estímulo. O output consiste na ação propriamente dita em resposta ao estímulo. E o feedback é a experiência/ consequência e avaliação da resposta
 

Este sistema envolve complexos circuitos neurais implicados nos processamentos cognitivos e afetivos que irão nortear a tomada de decisão, Sabemos que as experiências emocionais anteriores influenciam a focalização da atenção na predição dos resultados futuros, influenciando o raciocínio lógico e a escolha racional. No entanto, quando incitada por uma sensação somática, uma decisão também pode ocorrer de forma imediata. 
 

A relação entre processos cognitivos e emocionais pode ser compreendida ao considerar os circuitos neurais implicados na tomada de decisão. Estruturas límbicas, como a amígdala, ínsula, córtex orbitofrontal e cingulado anterior se interconectam para a atribuição de um significado emocional. Estas estruturas intermediam a produção de marcadores somáticos que sinalizam a intensidade da valência positiva ou negativa do estímulo inicialmente apresentado (como descrito na figura abaixo). De acordo com as preferências estabelecidas durante a fase do input, o núcleo accumbens e o córtex préfrontral interagem, fazendo o monitoramento de erros e conflitos e orientação de ações compensatórias.
 
Fonte: SILVA, 2017.



Assim, os tipos de tomada de decisão são: decisão sob situação de certeza, decisão sob situação de risco e decisão sob situação de ambiguidade ou incerteza, que envolve a relação entre risco e recompensa. De uma forma bem resumida, o primeiro tipo de tomada de decisão, sob situação de certeza, nós teríamos a probabilidade de 100% de sucesso. Por exemplo, a pessoa deverá realizar uma escolha em que possui 100% de certeza de que irá ganhar R$100,00 ou R$50,00. 
 

No segundo tipo de tomada de decisão escolha de risco o sucesso é especificado por uma distribuição de probabilidade. Neste caso, a pessoa tem 50% de chance de ganhar R$100,00 e 100% de chance de ganhar R$50,00, a escolha é um risco. E no último tipo de tomada de decisão, o de escolha de ambiguidade ou incerteza, a probabilidade de sucesso não é especificada. Por exemplo, a escolha entre uma oportunidade desconhecida de ganhar R$100,00 ou certeza de ganhar R$50,00, sendo o tipo de tomada de decisão na relação monetária é a de riscorecompensa.
 

Assim, nós precisamos ponderar as consequências dos nossos atos a curto e longo prazo antes de decidir qual será a ação mais adequada. Por exemplo, ao desejar comprar uma blusa cara a pessoa avalia o seu desejo e se tem dinheiro suficiente para tal ato; quais vantagens e desvantagens e planeja uma tomada de decisão de ceder ou não ao desejo de obter tal objeto. O IGT (Iowa Gambling Task) é o teste neuropsicológico mais utilizado para avaliar tomada de decisão do tipo risco recompensa em situação de ambiguidade. 
Envolve elevado nível de incerteza uma vez que, mesmo o sujeito chegando a uma conceituação geral das boas ou más escolhas, ele não adquire conhecimento sobre as probabilidades de recompensa e punição. O resultado da sua decisão é imprevisível, ao contrário da decisão de certeza em que o resultado é explícito e previsível. 
 

Além desse teste, outras ferramentas podem e devem ser usadas para avaliar os tipos de tomada de decisão, como por exemplo o EEG (eletroencefalograma). Assim, podemos fazer uma junção de várias técnicas e conseguir comparar possíveis diferenças na ativação cerebral e conflito com a relação ganhar e perder entre consumidores durante o processo de tomada de decisão.
 

REFERÊNCIAS


BECHARA, Antoine. The role of emotion in decision-making: evidence from neurological patients with orbitofrontal damage. Brain and cognition, v. 55, n. 1, p. 30-40, 2004.
 
CLARK, David L.; BOUTROS, Nash N.; MENDEZ, Mario F. The brain and behavior: an introduction to behavioral neuroanatomy. Cambridge university press, 2010.
 
SILVA, Maria Clara Miguel Descendente de Melo. Tomada de decisão em compradores compulsivos: um estudo com eletroencefalograma. 2017. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pernambuco.
 

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Autor:

Beatriz Carvalho Frota

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