Existe uma forma única de aprender?

Wednesday, 19 de January de 2022

Você já ouviu falar na teoria de estilos de aprendizagem? Esta teoria foi muito difundida por estudiosos da aprendizagem há décadas. Esta combina a ideia de que os alunos podem ser classificados de acordo com sua forma individual de aprender, e que quando os educadores combinam sua didática com essa forma particular do aluno, estes APRENDEM MAIS! Porém, neurocientistas começaram a questionar essa teoria e perceberam que aprender e ensinar é muito mais complexo do que simplesmente combinar o ensino ao estilo de aprendizagem do aluno.


Você já deve ter ouvido alguma vez professores dizendo que “os alunos tem formas diferentes de aprender” ou até mesmo já pode ter feito algum teste para saber como você aprende mais. Por exemplo, algumas pessoas que aprendem melhor ouvindo são consideradas “aprendizes auditivos”, aqueles que associam melhor vendo são considerados “aprendizes visuais” e aqueles que aprendem melhor com a prática são chamados “aprendizes cinestésicos”. A questão é que embora a teoria dos estilos de aprendizagem seja muito difundida, cientistas do cérebro veem questionando-a e colocando-a em desuso. Ou seja, novos estudos sugerirem que os estilos de aprendizagem não são verdadeiros e funcionariam como uma espécie de neuromito.

O primeiro questionamento levantado para isso é que a ideia de estilos de aprendizagem não possui aporte científico. Muito embora não tenha comprovações, pessoas no geral e educadores acreditam nessas afirmações e acabam repetindo-as. Estudos demonstraram que mais de 90% dos professores acreditam em estilos de aprendizagem, já outros estudos mostraram que mais de 60% dos professores pensam que ensinar os estilos de aprendizagem ajuda os alunos a aprender mais.

Sendo assim, as pessoas têm preferências sobre como gostam de aprender. Uma prática educacional muito importante é a de apresentar informações aos alunos de várias maneiras diferentes. Entretanto, isso não significa que combinar o ensino com a forma de aprendizagem preferida de um aluno de fato melhora sua compreensão, isso porque o cérebro não funciona dessa maneira e sua forma de processar informações é bem mais complexa do que parece. Além disso, acreditar nessa ideia pode ser prejudicial, pois, OS ALUNOS ACABAM SENDO ROTULADOS POR APRENDER DE MANEIRA X OU Y E ISSO PODE LIMITAR SEU POTENCIAL!!!

A neurociência nos ajuda a entender a complexidade de como o cérebro cresce e muda quando o aprendizado acontece. Os professores devem ter em mente que as pesquisas indicam que a aprendizagem é baseada na experiência e não em estilos de aprendizagem. Além disso, as descobertas de neuroplasticidade (cérebros se adaptam às nossas experiências) nos fornecem a ideia de que PROFESSORES DEVEM UTILIZAR MUITO DE EXPERIÊNCIA NO APRENDIZADO DOS ALUNOS! Ou seja, eles precisam ser expostos a uma variedade de tarefas e ter as informações apresentadas de várias maneiras. Com isso, eventos diários em nossas vidas e as lições que aprendemos nas salas de aula criam redes neurais que ajudam a lembrar o que aprendemos.

 


DANDY, Kristina L.; BENDERSKY, Karen. Student and faculty beliefs about learning in higher education: implications for teaching. International Journal of Teaching and Learning in Higher Education, v. 26, n. 3, p. 358-380, 2014.

LAWRENCE, B; NTELIOGLOU, B; MILFORD, T. Is Complicated: Learning and Teaching Is Not About “Learning Styles”. Front. Young Minds. 8:110, 2020. doi: 10.3389/frym.2020.00110.

NEWTON, Philip M. The learning styles myth is thriving in higher education. Frontiers in psychology, v. 6, p. 1908, 2015.

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Autor: Livia Nascimento Rabelo
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