Atletas liberam testosterona só com exercício? Desvendando o segredo do sucesso dos atletas

Saturday, 30 de January de 2021


A testosterona é hormônio caracterizado como esteroide, com ampla concentração no nosso corpo. É um dos hormônios mais estudados por exercer um papel tanto no desempenho físico quanto no comportamento (BHASIN, 2001; CREWTHER et al., 2006; HERBST e BHASIN, 2004).

Sua contribuição no desempenho físico está relacionada tanto na hipertrofia muscular (KVORNING et al., 2006), quanto contribuir “rapidamente” sobre a força e potência do atleta, seja nos esportes coletivos (ex: basquete, rugby) quanto nos esportes individuais (ex: lutas, corrida). O treinamento auxilia na modificação da estrutura celular para deixa-las mais sensíveis aos receptores para a testosterona, melhorando assim o funcionamento das células. Assim com treinamento e repouso adequado o atleta potencializa a utilização da testosterona na recuperação e crescimento muscular. Dormir ajuda no crescimento. 

A biodisponibilidade da concentração da testosterona endógena (produzida no nosso organismo) está relacionada ao comportamento. Sim, podemos aumentar a liberação da testosterona quando apresentamos sentimentos como agressividade e raiva, também ao demonstrarmos um comportamento dominante, de proteção ao nosso território, e também quando aumentamos nossa libido e durante a função sexual.

Nas últimas décadas, vários grupos de estudos exploraram como a visualização de imagens podem induzir rapidamente mudanças nas concentrações de testosterona. E quais imagens/vídeos seriam esses?

Os primeiros trabalhos de Pirke et al. (1974) relataram aumentos de testosterona no plasma depois de assistir a “filmes sensuais”, quando comparado com um filme controle, ou seja, um filme neutro (STOLÉRU et al., 1993). No contexto esportivo, Cook e Crewther (2011) colocaram atletas de rugby para assistir vídeos com conteúdo de humor, motivação para treinar e com conteúdo erótico, demonstrando um aumento nas concentrações de testosterona após os vídeos assim como um aumento na potência do salto, quando comparado a situação neutra.

O contexto esportivo também pode influenciar nas concentrações de testosteronas dos atletas. Observou-se que atletas com maior motivação geral apresentam um aumento nas concentrações de testosterona e reduzindo o medo (VAN HONK et al., 2005). Outras situações também se encontram associada ao local de jogo: equipes esportivas que jogam em seus próprios estádios tendem a apresentar maiores concentrações de testosterona quando comparado a jogos fora de casa, sendo esse aumento associado ao comportamento de territorialidade e dominância, ou seja, a proteção de seu território contra a equipe visitante (CARRÉ et al., 2006).

Entender esse priming pode aumentar a motivação do atleta para a ação seguinte (AARTS et al., 2009). Juntamente com as evidências anteriores, é possível que, assistir um vídeo motivacional, combinado com uma preparação positiva mais evidente de um treinador (ou seja, feedback verbal positivo), pode produzir uma resposta de testosterona maior para melhorar o comportamento do atleta e subsequente desempenho em um jogo. Por outro lado, assistir a um vídeo estressante e receber feedback do treinador um tanto negativo (por exemplo, feedback de advertência ou avisos negativos) podem ter o efeito oposto sobre esses resultados.

Curiosidade!

Você sabia, que não apenas os atletas, mas você como torcedor também aumenta suas concentrações de testosterona endógena em dias de jogo? Bernhardt et al. (1998) relataram aumentos nos níveis de testosterona dos fãs das equipes esportivas que venceram o jogo quando comparado as equipes que perderam o jogo.

 

Aprecie estas estratégias, faça um excepcional jogo!

 

Texto: Profa. Luciane Moscaleski

Colaboração: Profa. Dra. Ana Carolina Paludo

 

Referências:

  1. AARTS, Henk; VAN HONK, Jack. Testosterone and unconscious positive priming increase human motivation separately. Neuroreport, v. 20, n. 14, p. 1300-1303, 2009.
  2. BHASIN, S.; WOODHOUSE, L.; STORER, T. W. Hormones and Sport-Proof of the effect of testosterone on skeletal muscle. Journal of endocrinology, v. 170, n. 1, p. 27-38, 2001.
  3. Carré, J., Muir, C., Belanger, J., and Putnam, S. K. (2006). Pre-competition hormonal and psychological levels of elite hockey players: relationship to the ‘home advantage’. Physiology & Behavior, 89(3), 392-398
  4. COOK, Christian J.; CREWTHER, Blair T. The effects of different pre-game motivational interventions on athlete free hormonal state and subsequent performance in professional rugby union matches. Physiology & behavior, v. 106, n. 5, p. 683-688, 2012.
  5. CREWTHER, Blair; CRONIN, John; KEOGH, Justin. Possible stimuli for strength and power adaptation. Sports medicine, v. 35, n. 11, p. 967-989, 2005.
  6. SALVADOR, Alicia et al. Correlating testosterone and fighting in male participants in judo contests. Physiology & behavior, v. 68, n. 1-2, p. 205-209, 1999.
  7. VAN HONK, Jack; PEPER, Jiska S.; SCHUTTER, Dennis JLG. Testosterone reduces unconscious fear but not consciously experienced anxiety: implications for the disorders of fear and anxiety. Biological psychiatry, v. 58, n. 3, p. 218-225, 2005.




The content published here is the exclusive responsibility of the authors.

Autor:

Luciane Moscaleski

Freelance

moscalesk@brainsupport.co









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