Anestesia e experimentação animal: quais cuidados precisamos ter?

Sunday, 24 de November de 2019
   

      Antes de mais nada, precisamos estar atentos aos cuidados com o uso dos animais de laboratório em experimentos, pensando no princípio ético de Russel e Burch, que fundamenta-se no uso dos 3 R’s: Replacement, Reduction and Refinement (substituição, redução e refinamento). Esses principios buscam garantir e evitar a dor e sofrimento desnecessários aos animais, de maneira humanizada.

    Nós, pesquisadores, sabemos o quanto um experimento pode sair do controle, à medida que deixamos de considerar alguns fatores muito importantes, principalmente quando nos referimos a procedimentos cirúrgicos.
Com a intenção em manter maior controle experimental durante as técnicas cirúrgicas e minimizar os erros de procedimentos é importante considerar além dos conhecimentos fisiológicos e comportamentais. As técnicas de contenção física e farmacológica para a realização de procedimentos anestésicos são imprescindíveis, pois existem particularidades e variabilidade da espécie animal, da posologia e do tipo de anestésico a ser empregado.

    Alguns experimentos possuem treinamento comportamental com os animais, antes do procedimento cirúrgico e o tempo pode variar à depender do interesse experimental. Mas digamos que você passe duas semanas treinando os animais diariamente, sem ter feriado ou final de semana e de repente, durante a cirurgia, você aplica uma dosagem maior do que o animal suporta, ou simplesmente utiliza o anestésico disponível no momento. Além de correr o risco de perder o animal do experimento, você perdeu todos os dias dedicados ao seu projeto. 
 
     Os cuidados pré-anestésicos sobre os mecanismos de ação os fármacos, mantém maior segurança ao procedimento, além da necessidade de monitoramento, caso ocorra alguma alteração observada.
 
    Nesses cuidados é preciso pensar no tipo de anestésico e a dose, levar em consideração o animal escolhido, o peso metabólico, a frequência cardíaca, frequência respiratória, volume da corrente sanguínea, volume sanguíneo e a temperatura central mantida pelo animal, durante todo o procedimento. O local de administração e propriedades irritantes do agente aplicado também devem ser considerados, principalmente quando associados com fármacos opióides.
 
   A xilazina por exemplo, muito utilizada em experimentos com animais, possui um bom efeito sedativo-analgésico, quando associado à drogas anestésicas. O tiopental sódico é um barbitúrico de curta duração que produz sonolência, sedação e hipnose.

   Se pensou que o momento da anestesia não diz muito sobre o seu projeto, acredito que deu para refletir, certo? 



   É importante identificar estudos que compararam os diferentes agentes anestésicos, diferentes tipos de procedimentos cirúrgicos e diferentes durações dos procedimentos para escolher o que mais se aplica ao seu desenho experimental. Vale considerar possíveis implicações do projeto, como intensidade de contração alveolar, pneumotorax, vômitos, fala respiratória, ação em receptores que alteram excitação ou inibição de atividades neurais e ações ions fluoranos que podem caracterizar toxicidade renal ou causar convulsões, quando em altas concentrações.

Todos esses conhecimentos  precisam ser avaliados em cada projeto e propõe um refinamento das técnicas, buscando a redução ou substituição por métodos alternativos. 

Nas referências poderá acompanhar algumas informações importantes.

Referências:
https://www.ufmg.br/bioetica/ceua/informacoes-uteis/protocolos-anestesicos/
(Tabela: Valores médios dos principais parâmetros fisiológicos de mamíferos de laboratório.)




Autor: Mab Abreu








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