Alterações eletrofisiológicas (EEG) na esquizofrenia

Friday, 04 de September de 2020
A esquizofrenia é uma psicopatologia grave, com fatores de risco genéticos e ambientais, e causas multifatoriais, sendo assim, sua apresentação clínica é bastante complexa. Os tratamentos atuais incluem farmacologia e terapia psicológica, no entanto, é perceptível alterações em mecanismos e circuito neurais nesses pacientes. Pensando em estimar a dinâmica cerebral, medidas de complexidade têm sido amplamente utilizadas em pacientes com esquizofrenia como eletroencefalograma (EEG). No EEG esses pacientes apresentaram diferenças mais significativas no cérebro nas regiões frontal esquerda (F3) e parietal (P3). 

A esquizofrenia é um transtorno psicótico definido por anormalidades em um ou mais dos seguintes domínios: alucinações, delírios, pensamentos desorganizados, sintomas negativos e comportamento motor amplamente desorganizado ou anormal.

  •  Alucinações: alucinações são uma espécie de percepção sem estímulo. Ou seja, o sujeito tem a impressão de estar tendo uma experiência vívida, clara, como uma percepção real, porém, não há qualquer estímulo sensorial ou motor presente. A mais comum na esquizofrenia é a auditiva.

  • Delírios: Delírios se caracterizam como crenças fixas, não passíveis de mudanças mesmo que existam evidencias contrarias. Seu conteúdo pode ser em vários temas: de grandeza, perseguição, religioso, somático, etc.

  • Pensmentos desorganizados: eles são perceptíveis a partir do discurso do indivíduo, pois, geralmente eles mudam de conteúdo rapidamente, respostas totalmente distantes das perguntas, tornando-se muitas vezes um discurso incompreensivo.

  • Sintomas negativos: Esses sujeitos geralmente apresentam expressão emocional diminuída e avolia. Diminuição na expressão emocional inclui reduções na expressão emocional pelo rosto, na entonação da fala, contato visual, movimento das mãos, etc. Já Avolia inclui apatia, desinteresse, falta de vontade, etc. Ou seja, há uma redução de atividades motivadas.

  • Comportamento motor amplamente desorganizado ou anormal: As pessoas apresentam dificuldades na realização de tarefas cotidianas e comportamentos dirigidos a um objetivo. Esses comportamentos podem ser muito variados, desde um comportamento “tolo” a uma agitação imprevisível.


                                                                                       Fonte: Hospital São Marcos (2019)

A esquizofrenia causa intenso sofrimento a quem convive e quem tem o diagnóstico. Os tratamentos farmacológicos atuais operam com o mesmo mecanismo, o bloqueio do receptor D2 da dopamina, que contribui para seus efeitos adversos. No entanto, os mecanismos de circuito neurais identificam novos alvos de tratamento em potencial que podem ser de benefício particulares em domínios de sintomas que os medicamentos existentes não alcançam, para isso, utilizam exames como o de EEG, para verificar atividade cerebral desses pacientes.

Em estudos de EEG, pacientes esquizofrênicos apresentaram um aumento da atividade rápida, e esse aumento foi deixado de lado para a frequência beta rápida. A frequência alfa foi reduzida (<10,2 Hz) em 7 de 16 pacientes esquizofrênicos. Além disso, aqueles pacientes com uma redução da frequência alfa tinham um tamanho ventricular cerebral médio significativamente maior. Esses resultados indicam que o EEC detecta mudanças neurofisiológicas na esquizofrenia.


Referências

AKAR, S. Akdemir et al. Analysis of the complexity measures in the EEG of schizophrenia patients. International journal of neural systems, v. 26, n. 02, p. 1650008, 2016.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnostico e estatistico de transtornos mentais (DSM-V), Washington, DC: American Psychiatric Association, 2014.

BASILE, Luis FH. Alterações eletrofisiológicas na esquizofrenia. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 22, p. 12-14, 2000.

CRIDER, Andrew. Schizophrenia: A biopsychological perspective. Routledge, 2020.

KARSON, Craig N. et al. Computerized EEG in schizophrenia. Schizophrenia bulletin, v. 14, n. 2, p. 193-197, 1988.

MCCUTCHEON, Robert A.; MARQUES, Tiago Reis; HOWES, Oliver D. Schizophrenia—an overview. JAMA psychiatry, v. 77, n. 2, p. 201-210, 2020.

The content published here is the exclusive responsibility of the authors.

Autor:

Livia Nascimento Rabelo

Support

livia@brainsupport.co









EEG ERP BCIEEG fMRIEEGSocial InteractionHeadstages EPHYSEEG combinedBrain StimulationEEG ElectrodesResponse DevicesElectrodes EPHYSGame TheoryPhysiology and BehaviorPlasticity, nfb & nModEEG Electrode CAPsEEG CombinednEdu & nDevTranslational EducationAttention & MemoryLearning & MemoryNeuropoliticsAgingCultural NeuroscienceMetacognition & MindSetDecision MakingHuman CompetenceNeuroscience of ConsciousnessSport & Motor BehaviorExecutive FunctionsFunctional ConnectivityPhysiology & BehaviorInhibitory Control & SwitchingNeuroPhilosophyPriming EffectSelf PerceptionNeuroRightsPerception & ActionStress & CognitionSocial PreferencesInhibitory Control & Switching