A neurociência da relação entre humanos e cachorros.

Tuesday, 24 de March de 2020



A interação entre animais de diferentes espécies geralmente é vista com um olhar de caça e caçador pelo espectador, mas interações positivas e mutualísticas também ocorrem, formando uma relação ecológica harmônica entre grupos distintos. A relação entre homens e cachorros é uma dessas relações harmônicas e várias teorias vêm sendo desenvolvidas sobre como esse companheirismo surgiu e se desenrola.

Para a origem da relação temos duas principais teorias, a Biproduto e a de adaptação. A biproduto é baseada na hipótese de que a seleção dos animais domésticos ocorreu por meio de humanos selecionando lobos que fossem dóceis, e essa característica foi a divisão que abriu espaço para o desenvolvimento de habilidades cognitivas sociais, incluindo a distinção de padrões emocionais humanos e também o companheirismo. A teoria foi testada em um experimento realizado por Hare na Rússia, em que dois grupos de raposas cinzas foram testadas para as habilidade de leitura de emoção referentes ao comportamento humano, uma selecionada para reprodução pela docilidade com humanos e o outro grupo sendo randomicamente reproduzido e trazido ao experimento . O grupo selecionado pela docilidade teve filhotes que conseguiam responder mais facilmente a pistas sociais humanas que o grupo randômico.

 A teoria da adaptação traz ideias que percorrem outros caminho. Proposta por Miklóse, ela traz a hipótese de que os humanos escolheram as raças que apresentavam traços para compreender gestos humanos, podendo assim dar sinais sofisticados para caça, mantendo-os perto e formando matilhas que se reproduziam e sobreviviam mais facilmente. Nessa teoria a leitura de gestos é apenas uma especialização que os cachorros desenvolveram após se agruparem com os humanos, tendo eles se adaptado a nós e não sendo pré selecionados.

Mas como a relação entre essas duas espécies tão distintas ocorre? Entre humanos a empatia e bom tratamento com quem é considerado ingroup é considerado um comportamento padrão, enquanto favorecemos a competição com outros humanos que vemos como outgroup. Estima-se que é esse comportamento que leva os humanos a serem tão acostumados a compartilhar emoções humanas com animais, principalmente cães que por também serem animais sociais, ao interagirem com os humanos formam um grupo, adentrando assim o nosso ingroup.

Um estudo utilizando fMRI revelou que o olfatório bulbo-pedúnculo é ativado de forma similar quando um cão sente o cheiro de outro cachorro, dele mesmo ou de um ser humano. Porém, a ativação no núcleo caudado é muito mais forte quando se trata do cheiro de um humano familiar(não necessariamente o dono). Essa ativação mostra que o mecanismo de recompensa dos cães considera vantajosa a relação com os humnos.

Quanto a reação do organismo humano aos cães, temos que algumas características como tamanho, cheiro e aparência causam a ativação de estruturas como o córtex insular anterior, da amígdala e do MPOA, ativando o sistema de recompensa e empatia. Isso leva a uma espécie de comportamento materno para com os cães, que nos leva a tratá-los como membros da família, o que suporta a teoria de que cães fazem parte do nosso ingroup.

A relação entre cachorros e humanos é longa e tem sido uma das amizades mais versáteis que nossa espécie possui, indo muito mais longe que apenas a caça, temos cãe guias, companheiros para pacientes terminais e alguém para dar uma volta no parque e conversar casualmente. A neurociência avança trazendo assim cada vez mais descobertas que nos maravilham com a complexidade que a relação entre cães e humanos possuem, esses amigos milenares.

 Referências:

KAMINSKI, Juliane; NITZSCHNER, Marie. Do dogs get the point? A review of dog–human communication ability. Learning and Motivation, v. 44, n. 4, p. 294-302, 2013. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0023969013000325


HARE, Brian; TOMASELLO, Michael. Human-like social skills in dogs?. Trends in cognitive sciences, v. 9, n. 9, p. 439-444, 2005. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16061417


Archer, J. (1997). Why do people love their pets? Evolution and Human Behavior 18:237-259  


Berns, G. S., Brooks, A. M., & Spivak, M. (2015). Scent of the familiar: An fMRI study of canine brain responses to familiar and unfamiliar human and dog odors. Behavioural Processes, 110, 37–46.

 

Freedman AH, Gronau I, Schweizer RM, Ortega-Del Vecchyo D, Han E, et al. (2014) Genome Sequencing Highlights the Dynamic Early History of Dogs. PLoS Genet 10(1): e1004016. doi:10.1371/journal.pgen.1004016

 

 

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Autor:

Lucas Fernandes Florencio da Silva

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