A linguagem do cérebro

Wednesday, 13 de November de 2019

As linguagens entre grupos e culturas diferem em várias características. Uma diferença fundamental é em relação ao ritmo e melodia que cada língua possui como se fosse uma música. Essa melodia permite compreender alguns aspectos que interferem na comunicação, desde o acento das palavras até o conteúdo, como um gerador de emoções através da linguagem.

A comunicação e a expressão cultural viabilizaram o surgimento de uma sociedade racional, que resulta em desenvolvimento cognitivo e social, como se constitui atualmente, através da troca de mensagens entre um emissor e um receptor.

            A neurolinguística surge para estudar as relações entre cérebro e linguagem, numa ótica investigativa que pretende relacionar determinadas estruturas do cérebro com distúrbios ou aspectos específicos da linguagem.

            Os estudos neurofisiológicos da linguagem envolvem integração sensorial e ainda são modelos complexos.
            Pesquisas recentes em modelos animais desenvolvem mecanismos para estudar áreas auditivas e motoras no cérebro, envolvidas no comportamento da fala.

         O uso de animais para a pesquisa básica facilita a compreensão da atividade elétrica do cérebro, através da membrana das células neurais durante as representações  dos elementos  de cada linguagem. Diante disso, o uso de pássaros canoros é muito utilizado para avaliar circuitos do canto – linguagem-, pois mantem padrões de respostas vocais homólogas aos nossos (humanos).

Pássaros canoros têm circuitos motores e vocais associados ao canto (HVC e RA), que são essenciais para a aprendizagem vocal e social de canções, pois aprendem a cantar por imitação e exposição ao canto dos seus tutores (geralmente os pais).

 

            Nós humanos também dependemos de um contexto social para o desenvolvimento da linguagem, através da imitação e do aprendizado social, mas sabemos pouco sobre como esse processo opera no cérebro.

 Os cientistas foram capazes de ensinar aos pássaros canções simples que nunca ouviram antes, ativando seletivamente neurônios específicos em seus cérebros e implantando efetivamente o que eles chamara de falsas memórias. Utilizaram luz através de técnicas de optogenética para localizar proteínas codificadas que respondem à luz, com o objetivo de monitorar e controlar respostas do canto.

Ainda estamos muito longe de podermos ensinar aos pássaros os maiores sucessos, mas podemos pensar que já estivemos ainda mais longe. Utilizar as diversas tecnologias de estimulação para avaliar o conto desses pássaros é um bom caminho para descobrirmos o quanto nós estamos reproduzindo sobre a linguagem que aprendemos.

 

            Seria interessante pensarmos numa ótica que nosso cérebro reproduz o que aprende? Assim podemos extrapolar para uma compreensão do mundo digital, onde obtemos diversas informações por segundo, na palma da mão, apenas com um smartphone conectado à internet.

      São padrões de falas, de “memes”, de músicas e o circuito neural associado à linguagem passa a ser espelhado em um comportamento imitativo que pode ser considerado disfuncional para o desenvolvimento de uma sociedade.

É possível então mudar essa construção reprodutivista que desenvolve uma comunicação baseada fake news e transformá-la numa construção funcional para a sociedade?

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Autor: Mab Abreu
#global #perception